quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Todos os dias quando me levanto de manhã subo a persiana da janela do quarto e olho durante uns segundos para o céu. Hoje não foi excepção. As nuvens negras, as trovoadas e o vento que soprava estavam em perfeita sintonia com o meu estado de espírito. O cansaço que se vai acumulando ao longo de um ano comprido e sempre atarefado pesa mais nesta altura tão próxima das esperadas férias. A partir daí tudo se torna mais difícil. O levantar da cama, o duche, o pequeno-almoço (quando há tempo), o conduzir até chegar ao trabalho, o abrir a porta do serviço e ligar tudo, até escrever isto, se torna um processo quase doloroso fisicamente. O tempo concorda comigo...os trovões que se ouvem consecutivamente fazem-me lembrar o meu resmunganço matinal para sair daquilo que os meus pais sempre chamaram "vale de lençóis"...

Mais um esforço, penso eu. Amanhã já é sexta-feira e já entro de férias onde poderei finalmente descansar. Mas amanhã parece uma eternidade. Vivemos todos em função do próximo ordenado, das próximas férias. Sempre do próximo algo que nos satisfaça e dê algum conforto, que preencha este vazio que habita em cada um de nós. Mas será que chega? Não, não estou a ter uma crise existencial, nem sequer estou deprimida. Apenas cansada, quase exausta. E quando estou assim penso mais, ou pelo menos ouço mais os meus próprios pensamentos e reflexões mais ou menos coerentes. Hoje só me apetece aninhar-me no meu canto quentinho e deixar-me embalar pelo Soldier Song da Sarah Bettens. Há dias assim. Hoje sem dúvida é um deles. Amanhã esperemos que seja dia de festa. Pelo menos é dia de férias...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Direitos de todos nós


Quando me lançaram este desafio de escrever alguma coisa neste dia tão importante, milhões de coisas vieram-me à cabeça. O Dia Mundial dos Direitos Humanos não é para brincadeiras. Depois pensei melhor na implicação da expressão Direitos Humanos. O que significa? O que é que nos diz? O que é que me diz a mim? Pensei e li um pouco da famosa Carta dos Direitos Humanos, tão falada e tão maltratada. Depois de a ler a minha mente vagueou até encontrar uma linha de pensamento nova.

Direitos Humanos...para mim muitos mais do que se fala nas politiqueces e nos documentários dos canais temáticos. para mim é o direito de viver, de amar e ser amado, de odiar mas não prejudicar, de rir e sorrir, de pensar e falar. É o direito de se viver como quer, quando quer, nos seus próprios termos sem nunca ferir os termos dos outros. É viver ao seu próprio ritmo, e parar com esse ritmo quando se deseja. É amar quem se quer, homem ou mulher, da forma como se quer e no tempo que se entende como necessário. É comunicar ou escolher o silêncio como forma de comunicação dolorosa e complexa. É escolher e poder escolher livremente, como cidadão de uma comunidade que é muito mais do que a mera soma das suas partes. É o direito de permitir que os outros exerçam o seu direito, é permitirmos que nós próprios usemos desses direitos sem constrangimentos ou torturas. É gritar, chorar, pedir ajuda e ser ajudado...

Depois de toda esta torrente de sentimentos basta-me pensar que Direitos Humanos é apenas por em prática tudo o que somos e temos medo, Seres Humanos completos ou incompletos na plenitude do seu SER! É não termos medo da proximidade e do contacto, com o outro e com nós próprios. É estarmos confortáveis na nossa própria pele, é respeitarmos o outro mas sobretudo a nossa própria existência.

Respeitar os Direitos Humanos no fundo é respeitarmo-nos a nós próprios, enquanto seres humanos. Melhor definição que esta desconheço...pô-la em prática...aí está o desafio!


Este post pertencem a um enorme post colectivo. Para mais informações visitem fenixadeternum.blogspot.com e vejam todas as pessoas que decidiram pensar no assunto...

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Cirque du Soleil - Delirium


No dia 31 de Novembro montou-se a romaria à porta do Pavilhão Atlântico em Lisboa. Toda a gente que é gente queria ver aqueles senhores fantásticos que fazem coisas que mais parecem tiradas de um sonho. O Cirque chegou à cidade. Este, porém, não é um circo qualquer. O Cirque du Soleil fez e faz-nos sonhar e acreditar que é possível retratar sonhos num palco, ao som de música, com estímulos intensos e que nos fazem esquecer coisas tão simples como o desconforto das cadeiras do Pavilhão Atlântico.

Foi um verdadeiro espectáculo. Todas as dúvidas que tínhamos relativamente a este Delirium, que se dizia diferente de todos os outros espectáculos que tanto amamos do Cirque, foram-se desvanecendo à medida que toda aquela cor, movimento e som entrava nos nossos sentidos. Fantástico...foi nisso que pensei durante aquelas duas horas que passaram num instante. Para mim foi aterrador, no bom sentido, ouvir um verdadeiro silêncio entre a multidão entre cada quadro, expectante com o que iria acontecer, com as surpresas que nos iria apresentar a seguir. O respeito imenso pelo artista, pela sua concentração e pela sua arte. Foram-se multiplicando os aplausos e à medida que o espectáculo prosseguia os aplausos aumentavam numa proporcionalidade poética.

O espectáculo termina com uma remistura do Alegria. Para mim foi uma surpresa porque não estava mesmo nada à espera e nunca tinha ouvido comentar nada a esse respeito. Foi bonito ver o público e vibrar com uma música e uma apresentação que a maioria do pavilhão nem imaginava que é de outro espectáculo do Cirque. Também pouco interessava. O público vibrava e isso é que interessa.

No fim todos saímos satisfeitos e contentes por estarmos ali, e expectantes pela próxima aventura, QUIDAM!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Espanha, nós e a minha azia...

De vez em quando e no âmbito do trabalho que desenvolvo das 9 às 17:30, surge a oportunidade de me deslocar a Espanha para ver como é que os serviços deles estão organizados, nomeadamente o SPDA, congénere do IDT na Diputación de Huelva. Nós sabemos de todas as dificuldades que temos em Portugal a todos os níveis mas cada vez que saio de lá fico com uma azia desgraçada...

Tudo começa com as famosas verbas...aquilo que faz mover o mundo em versão euros...o número de técnicos, a distribuição do poder e atribuição ao poder local, o respeito pela vontade da comunidade...tudo isto deixa-nos de lágrima no canto do olho e é uma das pouquíssimas alturas em que penso, "olha lá, não era mal pensado ser espanhola!". Depois penso em todas as desvantagens e o meu orgulho Tuga vem ao de cima com o pensamento: "com o trabalho certo e com muita vontade chegamos lá". Claro que também penso que cheio de boa vontade está o Inferno...ainda bem que não acredito no Inferno...eheh.

Tudo começa com um pequeno principio, executa quem conhece. Paga quem tem de pagar, o poder local e/ou regional. Não são pensadores de primeira categoria que se lembram de fazer um programa para todos os meninos e meninas da mesma forma, como se de fotocópias se tratasse, mas sim apelar aos técnicos que melhor conhecem as realidades mega específicas de cada pueblo pequenino...esses que sabem o nome do Tio Manel das Couves e da Tia Armanda do Supermercado...Frustro-me só de pensar nisso...de pensar que se calhar assim era mais giro...

Este para mim é um problema de fundo em Portugal. Não vem só da minha área nem de nenhuma área em específico...Occam é que tinha razão. O seu princípio conhecido como "A Navalha de Occam" é um princípio atribuído ao inglês do século XIV, William de Ockham e que hoje em dia se enuncia: "se há várias explicações igualmente válidas para um facto, então devemos escolher a mais simples". Para mim é simples: antes de se impingir o que quer que seja a alguém, perguntem se esse alguém o quer ou precisa dele...

Em Espanha já começam a perceber isso...quando é que este pequeno grande princípio atravessará a fronteira...aceitam-se apostas...

cumps

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Finalmente o dragão!!


Está feita. Três horas de trabalho do artista e de desconforto meu (só pela posição em que estava porque não doeu nada) finalmente o dragão nasceu nas minhas costas.

A questão da dor resolveu-se logo. Não doi. Pelo menos a mim não me doeu nem causou nada que não se tolere. Sem dúvida uma tarde interessante. E com certeza para repetir.

Aquela emoçãozinha de uma criança com um brinquedo novo apoderou-se de mim...neste caso uma criança com um desenho novo, desenho permanente. Tudo isto me deu uma vontade enorme de fazer mais...e serão feitas mais tatuagens por este corpo fora. Isto é só o começo.

Não quero parecer aquelas telas humanas com desenhos que nunca mais acabam e que parece o Sr. do Prison Break. Mas mais umas quantas com certeza que farei. O vício está lá!!!!

Agora que a cicatrização está a andar muito bem, aqui fica para a posteridade!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Tatuagem

Depois de tanto tempo a ameaçar e um ano a planear, sábado vai-se acabar com a expectativa que quase dava origem a uma bolsa de apostas...a tatuagem vai-se realizar. A longa tarde do dia 17 de Novembro de 2007 irá ficar na história (ou não...veremos) como o dia que irei tatuar um dragão enorme nas minhas costas. Promessa que fiz há já alguns anos e que parece que é desta. A reacção mais gira só poderia ser da minha mãe...ó filha ainda se fosse uma águia!!! o teu pai vai-se passar por ser um dragão...Claro que esta reacção se percebe melhor quando eu acrescento que o Benfiquismo do meu pai não conhece limites...

entre o não faças e é tão grande as opiniões há para todos os gostos...a mim resta-me a profunda curiosidade de saber como ficou o desenho que o artista ficou de modificar para ficar verdadeiramente fantástico e como irá ficar nas minhas costas...além da questão da dor...mas nisso nem quero pensar.

O tatuador é dos bons. amigas minhas já lá foram e o resultado são obras de arte...parece aqueles senhores daquele programa do people and arts...o miami ink...verdadeiramente fantástico.

Agora é esperar para ver...a expectativa aumenta muito e a contagem diminui...depois logo afixo a bela da foto do belo do dragão...

sábado, 10 de novembro de 2007

Tugas ao ataques!!!!


Campeonato do Mundo de absolutos terminado no Canadá e achei que era interessante escrever alguma coisa aqui sobre isso. Pior do que a expectativa acerca da prestação dos nossos ginastas, é não estarmos lá para ver e submetermo-nos a horas em frente ao ecrã do computador à espera que um site actualizasse a informação. Saber que pessoas que conhecemos e de quem gostamos estão do outro lado do mundo a tentar representar o país o melhor que podem e a mostrar todo o trabalho deste tempo todo é algo que mexe comigo. Talvez este ano mais do que nunca vivi o campeonato do mundo...mesmo tão longe dele fisicamente.

Para quem olhar para os resultados finais do campeonato poderá nem entender muito bem porque andamos tão contentes...mas apurar dois ginastas para os Jogos Olímpicos é um feito considerável, considerando o panorama da modalidade a nível mundial e as nossas condições de trabalho. Claro que nem tudo são rosas e houve séries falhadas que me cortaram o coração mas sei que termos chegado aqui foi excelente...agora é só trabalhar para melhorar...temos de acreditar nisto e acreditar nesta modalidade é como o código postal...meio caminho andado.

No dia a seguir de termos o apuramento garantido para os JO falava no messenger com uma pessoa a quem dava os parabéns pelo sucesso no apuramento. Essa pessoa agradeceu mas respondeu que estavamos todos de parabéns. O sucesso é de todos. As vezes esquecemo-nos disso. Que quando aqueles seres saltam e acertam ou falham, são o reflexo de todas as pessoas que directa ou indirectamente contribuem para a modalidade. Nós!

Agora é tempo de reflectir acerca das decisões tomadas antes, durante e imediatamente após o campeonato do mundo. E preparar o que vem a seguir.

Neste momento os Campeonatos do Mundo por Grupos de Idades prosseguem exactamente no mesmo local onde os absolutos brilharam e bateram recordes. Os Tugas estão em grande número e com muita vontade. Entre bons e menos bons resultados, será para todos uma experiência inesquecivel...pelo menos para mim foi quando lá estive.

Boa Sorte TUGAS!!!